Romanceiro da Inconfidência

Romanceiro da Inconfidência

Sinopse

Em Romanceiro da Inconfidência, Cecília associa a verdade histórica com tradições e lendas. Utilizando a técnica ibérica dos romances populares, atenta para os autos do processo, às cartas, aos testamentos, à pintura, às modinhas, às estátuas de profetas de Aleijadinho. A poeta recria com intensa beleza o cotidiano, os conflitos e os anseios daquele grupo de sonhadores. Os romances, reconstituindo a história, compõem o fio narrativo. Os cenários, situando os ambientes, marcam as mudanças de atmosfera e localizam os acontecimentos. As falas, por sua vez, representam uma intervenção de Cecília, que tece comentários e leva o leitor à reflexão sobre os fatos históricos. Esta edição comemorativa traz uma fortuna crítica (ensaios de diversos autores que falam sobre a obra) com textos de Alfredo Bosi, Miguel Sanches Neto, Hélio Pólvora, Paulo Rónai, Darcy Damasceno, Walmir Ayala, Maria da Glória Bordini e Flávio Loureiro Chaves, além de um caderno de fotos de Cecília Meireles em viagem pelas cidades históricas mineiras.Os poemas aqui reunidos – cada qual com vida própria – formam um longo e único poema, lírico e épico ao mesmo tempo em que conta a história de Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira. Elaborado por meio de uma profunda pesquisa, a conspiração revolucionária de poetas é recriada com maestria pela imensa poeta Cecília Meireles.A mim, o que mais me doera,se eu fora o tal Tiradentes,era o sentir-me mordidopor esse em quem pôs os dentes.Mal-empregado trabalho,na boca dos maldizentes! […](Romance XLVI ou do caixeiro Vicente)

Autor

Cecília Meireles, nossa poeta maior, nasceu no dia 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro. Aos 3 anos de idade perdeu a mãe e não chegou a conhecer o pai, que morreu antes de seu nascimento. Órfã, foi criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Casou-se em 1922 com Fernando Correia Dias, artista plástico com quem teve três filhas. O marido cometeu suicídio em 1935 em razão da depressão. Viúva, casou-se novamente em 1940 com Heitor Vinícius da Silveira Grilo, professor e engenheiro agrônomo. Faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1964.Foi poeta, ensaísta, cronista, folclorista, tradutora e educadora. Em 1919, a autora publica seu primeiro livro de poemas intitulado Espectros. Em 1934, Cecília Meireles organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Em 1939, é agraciada com o Prêmio de Poesia Olavo Bilac concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo livro Viagem. Entre os prêmios que recebeu, estão ainda: Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962; e, no ano seguinte, ganhou o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro Poemas de Israel, concedido pela Câmara Brasileira do Livro; no ano de sua morte, recebeu ainda o Jabuti de poesia pelo livro Solombra; e em 1965, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra.Sua poesia foi traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindi e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner. A Global Editora publica , com exclusividade, todas as obras de Cecília Meireles.